Escalámos de mãos dadas a parede que separava o mundo do Mundo. Já cheirava a doce, a mel, a pele, e o meu nariz guiava-me de olhos cerrados e narinas arregaladas. Um fio de fumo fininho penetrava até os poros das pedras da calçada que se engasgavam de amor e espirravam beijos. Não eram só pedras, eram as Pedras do Mundo, aquelas que dormem escondidas debaixo da almofada e que de manhã fogem aflitas com medo do monstro da janela. Aqui as paredes não existem, todos veêm, os corpos não têm estrutura táctil mas existem mais que em qualquer outro lugar, a força que emanam chega para se sentirem sem que saibam da sua própria existência, sem que em algum instante se tenham visto, ouvido, sentido, tocado. Basta a vontade para que o refelxo se manifeste sem que exista um pré-gesto, uma acção, um esforço... basta a sensação, a imaginação... Tudo acontece no Mundo.
"Posso agora largar-te a mão?" - perguntei.... não precisas dela num outro dia, aqui ouves-me quando te chamo sem voz, quando te sinto na ausência, quando possa o engano dizer que não estás. Não minto quando falo deste Mundo, ele existe para quem o encontra, e ele ainda é triste, porque pingam nele lentamente seres atentos....mas pingam...quando deveriam ESCORRER!
terça-feira, 29 de janeiro de 2008
sexta-feira, 16 de novembro de 2007
8 mundo à frente
As vezes sinto-te cá dentro, não importa se atrás de mim ou 8 mundos à frente. No final, tudo fica em frente a nós, e tento descobrir se o que vejo é o que olho.
Não te entendo nas entrelinhas do esquecimento enfadonho, não reconheço as palavras que pensas e cruzas com sons que me atacam. Dói. Só na hora. Mas massacra e perdura quando o silêncio prevalece. A estranheza de todos perante duas sementes de frutas tão diferentes, que nem os caroços servem para mastigar, fazem as árvores mais enraizadas mudar de lugar. O azedume da casca é sem duvida o mais doce. Vamos provar.
Não te entendo nas entrelinhas do esquecimento enfadonho, não reconheço as palavras que pensas e cruzas com sons que me atacam. Dói. Só na hora. Mas massacra e perdura quando o silêncio prevalece. A estranheza de todos perante duas sementes de frutas tão diferentes, que nem os caroços servem para mastigar, fazem as árvores mais enraizadas mudar de lugar. O azedume da casca é sem duvida o mais doce. Vamos provar.
terça-feira, 14 de agosto de 2007
Nem com um desenho
A seguir a tudo não aconteceu mais nada além da perseguição. Aquele ser incapaz e auto-destrutivo arrastava-se em passadas que o tornavam ainda mais lento e enfadonho, era ímpossivel de o acompanhar de tão perdido que estava de um caminho ou de um ideal. Vivia, no entanto, feliz: não fosse a mais alta estupidez a rainha do império da inércia e da incongruência celestial que respiravam as gentes cobertas por aquela alçada. Muros de burrice impenetráveis... nem desenhos de livros infantis despertam o sobrolho adormecido há quase três décadas de incapacidade cerebral. Esceverei...só para ti...um livro para recém-nascidos, onde espero que mergulhes e voltes a reaprender a viver, ou simplesmente...aprender, será?
Telepatia
Ela já por cá andava há algum tempo. Leve, levezinnha mas persistente. Agravou-se.
Havia uma força que a empurrava contra a rocha, e nem os bicos das conchas partidas a faziam descolar. Toda a casca que a vestia ía aos poucos perdendo a consistência e deixava à tranpsarência a vontade que corroía os nervos do semblante da verdade. Lentidão... a profundidade telepática de um adivinhar de toques que se querem encontrar, perdidos entre nós de cordas de pontas espigadas e cabelos partidos, secos, queimados do sol, quentes...
Se aquela praia fosse deserta, se a sombra fosse mais escura, se as árvores cobrissem os corpos, se o mar subisse e nos cobrisse... cobríamos... Não havia dia nem noite, nem sol nem lua, nem terra nem universo. O mundo estaria cá dentro, no espaço inexistente caberiam os gritos mais longos que já ecoei, e ficavas surdo e entupido de tanto palavras que finalmente faziam sentido. Não estás cansado das palavras vãs, tardes sem proveito, noites sem amor? Não atinjo a realidade em que co-habitas com a estupidez... E tu?
Havia uma força que a empurrava contra a rocha, e nem os bicos das conchas partidas a faziam descolar. Toda a casca que a vestia ía aos poucos perdendo a consistência e deixava à tranpsarência a vontade que corroía os nervos do semblante da verdade. Lentidão... a profundidade telepática de um adivinhar de toques que se querem encontrar, perdidos entre nós de cordas de pontas espigadas e cabelos partidos, secos, queimados do sol, quentes...
Se aquela praia fosse deserta, se a sombra fosse mais escura, se as árvores cobrissem os corpos, se o mar subisse e nos cobrisse... cobríamos... Não havia dia nem noite, nem sol nem lua, nem terra nem universo. O mundo estaria cá dentro, no espaço inexistente caberiam os gritos mais longos que já ecoei, e ficavas surdo e entupido de tanto palavras que finalmente faziam sentido. Não estás cansado das palavras vãs, tardes sem proveito, noites sem amor? Não atinjo a realidade em que co-habitas com a estupidez... E tu?
segunda-feira, 4 de junho de 2007
Suor humano
O orgulho da estupidez fala mais alto que o horizonte e cobre de névoa roxa escura um tecido criado por gente faminta. Haviam quebras de emoção e de imensidão de choro compulsivo emanando gritos ao infinito. Surges no fundo como uma estátua fumegante de giz gasto e estridente que arrepia até ao surdo. Fugiram aflitos, embrulhando-se ao longo dos degraus de pedra calcária, que se esfarelava e desfazia em cores escuras que lhes arranhava o coração. Engasgava-se de sangue e cuspia a dor do embrulho em que se havera envolvido sem perceber que ponta do pé o tinha empurrado. Eram famílias de seres despidos, de tudo, deles mesmos, não tinham nada, um pingo de suor humano acabava com a fome de todos eles. Prendi-te as calças com um lenço de nós de cabelo que teci para ti ao longo das décadas, não se desfez porque nunca se fez e perdeu-se muito antes da neve ter coberto as ervas. Os corvos nadavam em círculos e traziam à superfície os sons mais agoniantes que já eles já tinham ouvido. Tremiam…e temiam pela sua vida mais morta que viva, tristemente acariciada por um acontecimento de tamanha crueldade.
domingo, 20 de maio de 2007
Plástico

Hoje não te senti como queria e não tinha sequer uma réstia da ideia do porquê. Vi-te envolvido numa embalagem de felicidade que me cheirou a plástico em demasia. Penso e espero estar enganada quanto ao material da tal embalagem, sendo que o que me importa na realidade é a água lhe corre pelas entranhas.
Nem sequer consigo ver através dos teus olhos, através mesmo, chegar ao outro lado, ao núcleo, à verdade…raramente me perco neles sem conseguir regressar à realidade. E como gosto quando isso acontece, é uma perca que conduz ao encontro, encontro real e tão surreal porque te expõe a cru sem as entrelinhas plásticas que possas tecer em volta do teu corpo.
Na verdade não espero nada…teimo em não esperar, porque não confio, desconfio do que neste limbo se possa passar. Não quero um equilíbrio numa corda bamba, procuro um sonho em constante desequilíbrio mas que nunca me deixe cair. Uma “perfeição” que existirá algures, não faço ideia onde, mas que hei-de encontrar…se nos teus olhos não for não cessarei de me achar. Acredito demais na felicidade para desistir dela, seja em que circunstância for!
Nem sequer consigo ver através dos teus olhos, através mesmo, chegar ao outro lado, ao núcleo, à verdade…raramente me perco neles sem conseguir regressar à realidade. E como gosto quando isso acontece, é uma perca que conduz ao encontro, encontro real e tão surreal porque te expõe a cru sem as entrelinhas plásticas que possas tecer em volta do teu corpo.
Na verdade não espero nada…teimo em não esperar, porque não confio, desconfio do que neste limbo se possa passar. Não quero um equilíbrio numa corda bamba, procuro um sonho em constante desequilíbrio mas que nunca me deixe cair. Uma “perfeição” que existirá algures, não faço ideia onde, mas que hei-de encontrar…se nos teus olhos não for não cessarei de me achar. Acredito demais na felicidade para desistir dela, seja em que circunstância for!
Caixa fora
Não pretendo sequer tentar resistir, a ferrugem que aumenta não me incomoda. O tempo existe realmente, mas como o sentimos é que faz o relógio ganhar movimento, e ele anda e pára sempre que lhe toco com um dedo ou sopro de leve os frágeis ponteiros.
Instintos intemporais não são animais, são humanos e descentrados, alienações de um centro sem epicentro e descontornado por linhas ténues e grossas. Abri a caixa mas só havia espaço, um espaço tão grande onde nem sequer cabes porque és maior…um gigante de ferro gasto e cores cansadas que nem por isso deixam de ser cores!
Cabes-me entre a unha comprida e o pequeno dedo, meto-te na boca sem querer e quase te engulo! Não me engasgo. Escorregas tão bem como papas para bebé. Mandei a caixa fora, tou farta de limites de espaço, de tampas, de lugares fechados e apertados.
O mundo é tão grande que o trinco quando roo a unha do meu dedo polegar, é a que tem mais camadas, a que mais prazer me dá mordiscar!
Instintos intemporais não são animais, são humanos e descentrados, alienações de um centro sem epicentro e descontornado por linhas ténues e grossas. Abri a caixa mas só havia espaço, um espaço tão grande onde nem sequer cabes porque és maior…um gigante de ferro gasto e cores cansadas que nem por isso deixam de ser cores!
Cabes-me entre a unha comprida e o pequeno dedo, meto-te na boca sem querer e quase te engulo! Não me engasgo. Escorregas tão bem como papas para bebé. Mandei a caixa fora, tou farta de limites de espaço, de tampas, de lugares fechados e apertados.
O mundo é tão grande que o trinco quando roo a unha do meu dedo polegar, é a que tem mais camadas, a que mais prazer me dá mordiscar!
Há dias
Há dias que passam outros que não
Há dias que se arrastam numa doce lentidão
Há dias em que te amo, há dias em que não!
Há dias que deviam ser noites, noites que não deviam terminar com Sol
Há dias que perco por pura estupidez, outros que parecem três!
Há dias que não me conheço, outros em que tão facilmente me encontro
Há dias em que te sinto, outros em que nem te busco
Há dias em que sou surda, prefiro a surdez ao inválido confronto
Há dias em que oiço o mais distante som, outros nem escuto o seu tom.
Há dias que não vou esquecer, mesmo depois de morrer
Há dias que me permitem, há dias aos quais desobedeço
Há dias que me constrangem e dias que me libertam.
Há dias em que durmo acordado, sonhando com a força do sono,
outros há em que simplesmente não durmo!
Há dias em que quero o mar, outros em que quero o céu e voar
Há dias que em que me cansas, há dias que não sei como to explicar.
Há dias em que me embalas, nesses não queria acordar…
Há dias em as flores têm asas, os peixes pétalas de escamas douradas,
dias com ou sem sentido, há dias e dias!
Há dias que se arrastam numa doce lentidão
Há dias em que te amo, há dias em que não!
Há dias que deviam ser noites, noites que não deviam terminar com Sol
Há dias que perco por pura estupidez, outros que parecem três!
Há dias que não me conheço, outros em que tão facilmente me encontro
Há dias em que te sinto, outros em que nem te busco
Há dias em que sou surda, prefiro a surdez ao inválido confronto
Há dias em que oiço o mais distante som, outros nem escuto o seu tom.
Há dias que não vou esquecer, mesmo depois de morrer
Há dias que me permitem, há dias aos quais desobedeço
Há dias que me constrangem e dias que me libertam.
Há dias em que durmo acordado, sonhando com a força do sono,
outros há em que simplesmente não durmo!
Há dias em que quero o mar, outros em que quero o céu e voar
Há dias que em que me cansas, há dias que não sei como to explicar.
Há dias em que me embalas, nesses não queria acordar…
Há dias em as flores têm asas, os peixes pétalas de escamas douradas,
dias com ou sem sentido, há dias e dias!
Sentidos
O cheiro é o sentido que mais marca. Sinto cheiros nos locais mais inesperados, que não têm relação nenhuma com a real origem do cheiro em si. Há cheiros que me dão vontade de chorar e de voltar a ser criança, cheiro de família e conforto…de Natal!
O som mexe com o meu estado de espírito de uma forma que gostaria de controlar melhor, visto que simplesmente não controlo. Há músicas que me põem lá no alto outras que só me lembram merdas parvas e me deixam “na baixa total”.
Os sabores que me marcam são frescos, principalmente a hortelã em bebida, de preferência com ananás…renova-me, nem sei porquê.
Sou sensível ao toque de tudo o que é macio, tento que todas as minhas roupas sejam confortáveis, nas lojas passo a mão pelos tecidos como se mexesse noutra coisa qualquer, mas em roupa é que não.
Gosto do pêlo dos animais, de dormir com eles, sentir um animal ao pé de nós é das coisas mais maravilhosas deste mundo. Isto só me desagrada no momento em que me entram pêlos para a boca, aí consigo estar quase um dia inteiro a tentar tirar um pêlo qualquer da língua, que na maioria das vezes já nem sequer lá está. Mas quando embico com alguma sensação mais irritante fica difícil de alguém me convencer de que aquilo já é delírio da minha cabeça.
O som mexe com o meu estado de espírito de uma forma que gostaria de controlar melhor, visto que simplesmente não controlo. Há músicas que me põem lá no alto outras que só me lembram merdas parvas e me deixam “na baixa total”.
Os sabores que me marcam são frescos, principalmente a hortelã em bebida, de preferência com ananás…renova-me, nem sei porquê.
Sou sensível ao toque de tudo o que é macio, tento que todas as minhas roupas sejam confortáveis, nas lojas passo a mão pelos tecidos como se mexesse noutra coisa qualquer, mas em roupa é que não.
Gosto do pêlo dos animais, de dormir com eles, sentir um animal ao pé de nós é das coisas mais maravilhosas deste mundo. Isto só me desagrada no momento em que me entram pêlos para a boca, aí consigo estar quase um dia inteiro a tentar tirar um pêlo qualquer da língua, que na maioria das vezes já nem sequer lá está. Mas quando embico com alguma sensação mais irritante fica difícil de alguém me convencer de que aquilo já é delírio da minha cabeça.
quarta-feira, 16 de maio de 2007
Frutas de Verão

Oiço um assobio fininho que ecoa das montanhas da neve. Um manto branco que me cobre as ideias de algodão doce e gelatinas líquidas que me escorrem até à boca. Boca que é mais tua que minha, porque te a dei...espetada num pauzinho de cor laranja e sabor de amora. Oiço as vozes da verdade a que fujo...sei que a há corações que palpitam por aí sem ter um algodão que confirme a sua presença. Gosto de comer enquanto oiço o algodão que fala espetado no pau de amora que esguincha laranjas com caroços de cerejas que mais parecem passas. O sol não perdoa, e as frutas secam se não as comemos a tempo!
Gosto de frutas, de Verão, de calor!! E ele está tão perto e tão longe...porque o vou sentir através de um vidro que não me permite trepar às árvores nem colher o que a natureza tem para me merendar. Mas há mais e mais verões, esses não me vão escapar...não haverá fruta que não prove, algodão que não toque, árvore a que não suba!
Podías ser uma árvore...a minha árvore...a minha fruta....o néctar dos néctares! Mas resolveste plantar e enterrar as tuas raízes num jardim de Inverno onde tremo para entrar e onde morro sem trasnpor o átrio principal. Só as estações ditarão o tempo em que vivo para te provar!
Gosto de frutas, de Verão, de calor!! E ele está tão perto e tão longe...porque o vou sentir através de um vidro que não me permite trepar às árvores nem colher o que a natureza tem para me merendar. Mas há mais e mais verões, esses não me vão escapar...não haverá fruta que não prove, algodão que não toque, árvore a que não suba!
Podías ser uma árvore...a minha árvore...a minha fruta....o néctar dos néctares! Mas resolveste plantar e enterrar as tuas raízes num jardim de Inverno onde tremo para entrar e onde morro sem trasnpor o átrio principal. Só as estações ditarão o tempo em que vivo para te provar!
Genética

Poderemos culpar a genética pelo modo como equacionamos os nossos desejos e vontades? Será ela tão superior ao que o nosso coração, razão, consciência dita? Não percebo os limites entre uma coisa e outra e por isso não me consigo localizar em nenhuma dessas esferas com contornos delimitados.
Percebo-me sempre numa altura em que não vejo as nuvens mas quase as consigo tocar, pinceladas de céu que cobrem um azul envolvente que aquece. São estradas de ar que me guiam a um lugar que esqueci de procurar mas que, na verdade, nunca perdi.
Quebras e picos extasiados por momentos….momentos que vivo na alta ou na baixa mas sempre intensos e irrepetiveis. Era mesmo ali…à porta da srª que não sabia quem éramos e nunca mais quereria saber, mas ficaria a ver…pois ficaria…porque as nuvens não cobrem o que não é azul! E quadros de pinceladas fortes e deitadas na estrada não passam despercebidas a ninguém...não me importava nem um pouco os transeundes ausentes de medos e cheios de preconceitos que nos apontarião o dedo sem rancor! Quem estava feliz no meio de tudo aquilo? Eu e tu.... no vão de uma porta que não sei a quem pertencia mas que naquele momento era apenas minha.
Percebo-me sempre numa altura em que não vejo as nuvens mas quase as consigo tocar, pinceladas de céu que cobrem um azul envolvente que aquece. São estradas de ar que me guiam a um lugar que esqueci de procurar mas que, na verdade, nunca perdi.
Quebras e picos extasiados por momentos….momentos que vivo na alta ou na baixa mas sempre intensos e irrepetiveis. Era mesmo ali…à porta da srª que não sabia quem éramos e nunca mais quereria saber, mas ficaria a ver…pois ficaria…porque as nuvens não cobrem o que não é azul! E quadros de pinceladas fortes e deitadas na estrada não passam despercebidas a ninguém...não me importava nem um pouco os transeundes ausentes de medos e cheios de preconceitos que nos apontarião o dedo sem rancor! Quem estava feliz no meio de tudo aquilo? Eu e tu.... no vão de uma porta que não sei a quem pertencia mas que naquele momento era apenas minha.
sábado, 5 de maio de 2007
Segundo
Foi em apenas um segundo de um tempo que não corria que toda a minha vida se apressou. Cambaleando por sensações electrificantes … e campos energéticos que me deixam os pensamentos presos ao teu nome. Nome que podia ser o meu se com este sexo não nascesse, cérebro que podia ser meu se não fosse teu! A importância que damos às coisas é ou não fortalecida com a carga psicológica com que a forramos. E forros malucos que cobrem o que não devem não chegam para tapar o que sinto. É cruel e saboroso o sofrimento diário de olhar sem nada mais poder fazer. É feliz saber encontrar-te todos os dias, triste demais nunca te encontrar de verdade. Possuo o que não me pertence e o mundo acabará por o perceber! Até os ceguinhos cessarão de não ver…
Contar
Queria contar-te tudo. Acabei por contar mais do que esperava. Supus que um desabafo sentido acabaria um pouco com esta ansiedade constante mas não podia estar mais equivocada. Só reforçou o que não gritava por qualquer reforço. E agora? Será o dia de hoje diferente do de ontem? De amanhã? Diferentes certamente todos são…trago na mala a noite de sonhos ilustres que me atacaram ferozmente, sem receio de que acordasse sem fazer mais nada além de os tornar realidade. Mas o sol não o permite, só a lua e as estrelas adoçam o que ao sol derrete…
...
Um toque que faz estremecer
um cheiro que faz respirar,
Sem parar, com dificuldade, com vontade
Desviar secretamente o olhar
antes que se torne demasiado tarde.
Fuga súbita de um eu que arde
Na dilaceração de um coração
Que parte em busca de uma solução,
que não existe ou não ousa aparecer
Penso-te sem pensar, imagino…
Será a imaginação uma traição?
Será que nunca se atraiçoa sem propósito?!
Sei qual é o meu mas não como lá chegar!
um cheiro que faz respirar,
Sem parar, com dificuldade, com vontade
Desviar secretamente o olhar
antes que se torne demasiado tarde.
Fuga súbita de um eu que arde
Na dilaceração de um coração
Que parte em busca de uma solução,
que não existe ou não ousa aparecer
Penso-te sem pensar, imagino…
Será a imaginação uma traição?
Será que nunca se atraiçoa sem propósito?!
Sei qual é o meu mas não como lá chegar!
segunda-feira, 16 de abril de 2007
K nervos!
Porque é que isto acontece? Sinceramente não entendo...deves ter algo que eu não consigo mesmo entender! Basta chegares por trás ou pela frente, sinto-te o cheiro à légua, e já não consigo mais do que querer-te!
sexta-feira, 13 de abril de 2007
Música do mar
A música toca em pontos a que não chego. Sorrisos impermeáveis que se acumulam no limiar da verdade. A chuva, no entanto, passa o manto que a sela com toda a facilidade! Vivo longe...longe do mundo em que habito e do chão que piso, ou não, em vão ou com sentido. A música toca sempre, com ou sem colunas, sem notas sem sons sem cadência, mas entra no ouvido e não se encontra o off da máquina avariada que está a trabalhar há tempo demais.
Num céu longínquo as nuvens fogem apressadas levadas por um som que desconhecem mas que as encantam, como o som das sereias encatava os marinheiros que se perdiam no mar e não mais conseguiam voltar. Mas voltavam. Porque nunca partiam. Ninguém parte de verdade se aqui deixar o seu pedacinho de verdade, de razão, de sensibilidade, de amor, de paz, de sabedoria. A sabedoria não se aprende, está cá dentro, todos a temos e poucos a conseguem encontrar, porque virados para o exterior esquecem-se de procurar o que está mais perto, é sempre mais difícil ver o que está diante de nossos olhos, dentro de nós mesmos, no interior que se sente e não se alcança. Mas é possível, é sempre possível, basta nunca cessar uma procura que é tudo menos uma perca de tempo. Enquanto procuramos só desobrimos mais e mais e até nos perdemos dez vezes antes de nos encontrarmos a tempo de o perceber! Não importa onde chegamos, se vamos ao mar e não voltamos, importa o caminho, a viagem, o rasto que deixamos por onde passamos...no coração de quem tocamos.
Num céu longínquo as nuvens fogem apressadas levadas por um som que desconhecem mas que as encantam, como o som das sereias encatava os marinheiros que se perdiam no mar e não mais conseguiam voltar. Mas voltavam. Porque nunca partiam. Ninguém parte de verdade se aqui deixar o seu pedacinho de verdade, de razão, de sensibilidade, de amor, de paz, de sabedoria. A sabedoria não se aprende, está cá dentro, todos a temos e poucos a conseguem encontrar, porque virados para o exterior esquecem-se de procurar o que está mais perto, é sempre mais difícil ver o que está diante de nossos olhos, dentro de nós mesmos, no interior que se sente e não se alcança. Mas é possível, é sempre possível, basta nunca cessar uma procura que é tudo menos uma perca de tempo. Enquanto procuramos só desobrimos mais e mais e até nos perdemos dez vezes antes de nos encontrarmos a tempo de o perceber! Não importa onde chegamos, se vamos ao mar e não voltamos, importa o caminho, a viagem, o rasto que deixamos por onde passamos...no coração de quem tocamos.
domingo, 8 de abril de 2007
Uma pequena cama

Uma pequena cama,
grande demais para mim
Um pequeno sonho,
inconsciente e sem fim
Um susto demorado,
um batimento acelerado,
uma ansiedade cansada.
Olhos fechados que vêem,
mãos abertas que não recebem,
lágrimas secas que espremem,
a pele gasta de pensar...
O dia que espera p´la noite chegar.
Noites de ausência
de cama cheia
de coração vazio.
Sonhos incompletos,
sonos despertos
Dias cansativos!
grande demais para mim
Um pequeno sonho,
inconsciente e sem fim
Um susto demorado,
um batimento acelerado,
uma ansiedade cansada.
Olhos fechados que vêem,
mãos abertas que não recebem,
lágrimas secas que espremem,
a pele gasta de pensar...
O dia que espera p´la noite chegar.
Noites de ausência
de cama cheia
de coração vazio.
Sonhos incompletos,
sonos despertos
Dias cansativos!
luz escura

Pensar ilusoriamente que um passado fica lá atrás e o hoje sem ele consegue chegar ao amanhã. O hoje não é mais do que a soma de todos os ontens, que esquecidos os dias que passaram escuros se relembram os que nos deixaram iluminados com suas caudas de luz. Muitos iluminados de peso e bacidade…mas lembrados!
Cheguei sem pensar. Alheada de mim própria esqueci que fazes parte do que sou e do que serei, foste quase uma costela, para não dizer a medula, a manifestação mais forte
que cresceu comigo enquanto o meu tamanho ía na mesma direcção.
Cheguei sem ter chegado, pois foi na ausência até de um pensamento que aterrei num mundo onde te respiro a cada exalação. É uma respiração pesada que me cansa… Duas noites sem dormir, pensei recuperar energias e forças, quem sabe encontrar a paz que busco e não alcanço.
Mais uma vez atraiçoada pelos meus próprios ideais abro os olhos mais cansada do que quando os fecho. Terei de olhar na direcção oposta, nem que me ponha de costas, enterre a cabeça, vende os olhos, gire sobre mim própria até não saber onde estou, para onde vou, para que lado estou virada. Prefiro o não-caminho a um caminho onde não consigo caminhar!
Não sou nada nem ninguém para escrever estas palavras sem sentido, mas a mão que as escreve é do meu braço, o braço é do meu corpo, o meu corpo tem uma alma e um coração – que se ancoram em águas de marés com correntes opostas.
Cheguei sem pensar. Alheada de mim própria esqueci que fazes parte do que sou e do que serei, foste quase uma costela, para não dizer a medula, a manifestação mais forte
que cresceu comigo enquanto o meu tamanho ía na mesma direcção.
Cheguei sem ter chegado, pois foi na ausência até de um pensamento que aterrei num mundo onde te respiro a cada exalação. É uma respiração pesada que me cansa… Duas noites sem dormir, pensei recuperar energias e forças, quem sabe encontrar a paz que busco e não alcanço.
Mais uma vez atraiçoada pelos meus próprios ideais abro os olhos mais cansada do que quando os fecho. Terei de olhar na direcção oposta, nem que me ponha de costas, enterre a cabeça, vende os olhos, gire sobre mim própria até não saber onde estou, para onde vou, para que lado estou virada. Prefiro o não-caminho a um caminho onde não consigo caminhar!
Não sou nada nem ninguém para escrever estas palavras sem sentido, mas a mão que as escreve é do meu braço, o braço é do meu corpo, o meu corpo tem uma alma e um coração – que se ancoram em águas de marés com correntes opostas.
quarta-feira, 21 de março de 2007
Amarrados
Penso porque existo
Existo porque penso
Não queria pensar mas existo
Existo nos pensamentos
Vivo nos momentos.
A vida corre agitada
Os dias passam parados
O mundo gira rápido
Os meus pés estão amarrados.
Corro sem sair do sítio
Salto sem chegar ao tecto
Caio sem tocar o chão
Paro no momento certo.
Os pensamentos giram no mundo de pés amarrados, de saltos sem pernas e braços sem tectos. O momento passou da realidade para o mundo, que o soltou na órbita do planeta errado. O meu passado.
Existo porque penso
Não queria pensar mas existo
Existo nos pensamentos
Vivo nos momentos.
A vida corre agitada
Os dias passam parados
O mundo gira rápido
Os meus pés estão amarrados.
Corro sem sair do sítio
Salto sem chegar ao tecto
Caio sem tocar o chão
Paro no momento certo.
Os pensamentos giram no mundo de pés amarrados, de saltos sem pernas e braços sem tectos. O momento passou da realidade para o mundo, que o soltou na órbita do planeta errado. O meu passado.
terça-feira, 20 de março de 2007
Não mostres
Quando se mostra a vontade esquecem-se de nós. Joguinhos mesquinhos que jogam sem que os jogadores ponham o dinheiro na mesa. As apostas sobem. Descem ao mais baixo nível da possibilidade. A ânsia de conseguir o que foge é traiçoeira ao ponto de nos fazer esquecer as regras de ouro do jogo da vida. São cartadas mandadas ao chão, cartas que nunca verão a luz, comem o pó da mesa ou do tapete em que fora
m largadas. Mãos nervosas, apertam dedos suados, que se enfiam na boca e são roídos por dentes estriquinados e irritados! Perdes-te…porque nem percebeste o início! Já conhecias o fim e desististe a tempo!
m largadas. Mãos nervosas, apertam dedos suados, que se enfiam na boca e são roídos por dentes estriquinados e irritados! Perdes-te…porque nem percebeste o início! Já conhecias o fim e desististe a tempo!
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