terça-feira, 14 de agosto de 2007

Telepatia

Ela já por cá andava há algum tempo. Leve, levezinnha mas persistente. Agravou-se.
Havia uma força que a empurrava contra a rocha, e nem os bicos das conchas partidas a faziam descolar. Toda a casca que a vestia ía aos poucos perdendo a consistência e deixava à tranpsarência a vontade que corroía os nervos do semblante da verdade. Lentidão... a profundidade telepática de um adivinhar de toques que se querem encontrar, perdidos entre nós de cordas de pontas espigadas e cabelos partidos, secos, queimados do sol, quentes...
Se aquela praia fosse deserta, se a sombra fosse mais escura, se as árvores cobrissem os corpos, se o mar subisse e nos cobrisse... cobríamos... Não havia dia nem noite, nem sol nem lua, nem terra nem universo. O mundo estaria cá dentro, no espaço inexistente caberiam os gritos mais longos que já ecoei, e ficavas surdo e entupido de tanto palavras que finalmente faziam sentido. Não estás cansado das palavras vãs, tardes sem proveito, noites sem amor? Não atinjo a realidade em que co-habitas com a estupidez... E tu?

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