Escalámos de mãos dadas a parede que separava o mundo do Mundo. Já cheirava a doce, a mel, a pele, e o meu nariz guiava-me de olhos cerrados e narinas arregaladas. Um fio de fumo fininho penetrava até os poros das pedras da calçada que se engasgavam de amor e espirravam beijos. Não eram só pedras, eram as Pedras do Mundo, aquelas que dormem escondidas debaixo da almofada e que de manhã fogem aflitas com medo do monstro da janela. Aqui as paredes não existem, todos veêm, os corpos não têm estrutura táctil mas existem mais que em qualquer outro lugar, a força que emanam chega para se sentirem sem que saibam da sua própria existência, sem que em algum instante se tenham visto, ouvido, sentido, tocado. Basta a vontade para que o refelxo se manifeste sem que exista um pré-gesto, uma acção, um esforço... basta a sensação, a imaginação... Tudo acontece no Mundo.
"Posso agora largar-te a mão?" - perguntei.... não precisas dela num outro dia, aqui ouves-me quando te chamo sem voz, quando te sinto na ausência, quando possa o engano dizer que não estás. Não minto quando falo deste Mundo, ele existe para quem o encontra, e ele ainda é triste, porque pingam nele lentamente seres atentos....mas pingam...quando deveriam ESCORRER!
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