segunda-feira, 4 de junho de 2007

Suor humano

O orgulho da estupidez fala mais alto que o horizonte e cobre de névoa roxa escura um tecido criado por gente faminta. Haviam quebras de emoção e de imensidão de choro compulsivo emanando gritos ao infinito. Surges no fundo como uma estátua fumegante de giz gasto e estridente que arrepia até ao surdo. Fugiram aflitos, embrulhando-se ao longo dos degraus de pedra calcária, que se esfarelava e desfazia em cores escuras que lhes arranhava o coração. Engasgava-se de sangue e cuspia a dor do embrulho em que se havera envolvido sem perceber que ponta do pé o tinha empurrado. Eram famílias de seres despidos, de tudo, deles mesmos, não tinham nada, um pingo de suor humano acabava com a fome de todos eles. Prendi-te as calças com um lenço de nós de cabelo que teci para ti ao longo das décadas, não se desfez porque nunca se fez e perdeu-se muito antes da neve ter coberto as ervas. Os corvos nadavam em círculos e traziam à superfície os sons mais agoniantes que já eles já tinham ouvido. Tremiam…e temiam pela sua vida mais morta que viva, tristemente acariciada por um acontecimento de tamanha crueldade.