domingo, 20 de maio de 2007

Plástico


Hoje não te senti como queria e não tinha sequer uma réstia da ideia do porquê. Vi-te envolvido numa embalagem de felicidade que me cheirou a plástico em demasia. Penso e espero estar enganada quanto ao material da tal embalagem, sendo que o que me importa na realidade é a água lhe corre pelas entranhas.
Nem sequer consigo ver através dos teus olhos, através mesmo, chegar ao outro lado, ao núcleo, à verdade…raramente me perco neles sem conseguir regressar à realidade. E como gosto quando isso acontece, é uma perca que conduz ao encontro, encontro real e tão surreal porque te expõe a cru sem as entrelinhas plásticas que possas tecer em volta do teu corpo.
Na verdade não espero nada…teimo em não esperar, porque não confio, desconfio do que neste limbo se possa passar. Não quero um equilíbrio numa corda bamba, procuro um sonho em constante desequilíbrio mas que nunca me deixe cair. Uma “perfeição” que existirá algures, não faço ideia onde, mas que hei-de encontrar…se nos teus olhos não for não cessarei de me achar. Acredito demais na felicidade para desistir dela, seja em que circunstância for!

Caixa fora

Não pretendo sequer tentar resistir, a ferrugem que aumenta não me incomoda. O tempo existe realmente, mas como o sentimos é que faz o relógio ganhar movimento, e ele anda e pára sempre que lhe toco com um dedo ou sopro de leve os frágeis ponteiros.
Instintos intemporais não são animais, são humanos e descentrados, alienações de um centro sem epicentro e descontornado por linhas ténues e grossas. Abri a caixa mas só havia espaço, um espaço tão grande onde nem sequer cabes porque és maior…um gigante de ferro gasto e cores cansadas que nem por isso deixam de ser cores!
Cabes-me entre a unha comprida e o pequeno dedo, meto-te na boca sem querer e quase te engulo! Não me engasgo. Escorregas tão bem como papas para bebé. Mandei a caixa fora, tou farta de limites de espaço, de tampas, de lugares fechados e apertados.
O mundo é tão grande que o trinco quando roo a unha do meu dedo polegar, é a que tem mais camadas, a que mais prazer me dá mordiscar!

Há dias

Há dias que passam outros que não
Há dias que se arrastam numa doce lentidão
Há dias em que te amo, há dias em que não!
Há dias que deviam ser noites, noites que não deviam terminar com Sol
Há dias que perco por pura estupidez, outros que parecem três!

Há dias que não me conheço, outros em que tão facilmente me encontro
Há dias em que te sinto, outros em que nem te busco
Há dias em que sou surda, prefiro a surdez ao inválido confronto
Há dias em que oiço o mais distante som, outros nem escuto o seu tom.

Há dias que não vou esquecer, mesmo depois de morrer
Há dias que me permitem, há dias aos quais desobedeço
Há dias que me constrangem e dias que me libertam.
Há dias em que durmo acordado, sonhando com a força do sono,
outros há em que simplesmente não durmo!

Há dias em que quero o mar, outros em que quero o céu e voar
Há dias que em que me cansas, há dias que não sei como to explicar.
Há dias em que me embalas, nesses não queria acordar…
Há dias em as flores têm asas, os peixes pétalas de escamas douradas,
dias com ou sem sentido, há dias e dias!

Sentidos

O cheiro é o sentido que mais marca. Sinto cheiros nos locais mais inesperados, que não têm relação nenhuma com a real origem do cheiro em si. Há cheiros que me dão vontade de chorar e de voltar a ser criança, cheiro de família e conforto…de Natal!
O som mexe com o meu estado de espírito de uma forma que gostaria de controlar melhor, visto que simplesmente não controlo. Há músicas que me põem lá no alto outras que só me lembram merdas parvas e me deixam “na baixa total”.
Os sabores que me marcam são frescos, principalmente a hortelã em bebida, de preferência com ananás…renova-me, nem sei porquê.
Sou sensível ao toque de tudo o que é macio, tento que todas as minhas roupas sejam confortáveis, nas lojas passo a mão pelos tecidos como se mexesse noutra coisa qualquer, mas em roupa é que não.
Gosto do pêlo dos animais, de dormir com eles, sentir um animal ao pé de nós é das coisas mais maravilhosas deste mundo. Isto só me desagrada no momento em que me entram pêlos para a boca, aí consigo estar quase um dia inteiro a tentar tirar um pêlo qualquer da língua, que na maioria das vezes já nem sequer lá está. Mas quando embico com alguma sensação mais irritante fica difícil de alguém me convencer de que aquilo já é delírio da minha cabeça.

quarta-feira, 16 de maio de 2007

Frutas de Verão


Oiço um assobio fininho que ecoa das montanhas da neve. Um manto branco que me cobre as ideias de algodão doce e gelatinas líquidas que me escorrem até à boca. Boca que é mais tua que minha, porque te a dei...espetada num pauzinho de cor laranja e sabor de amora. Oiço as vozes da verdade a que fujo...sei que a há corações que palpitam por aí sem ter um algodão que confirme a sua presença. Gosto de comer enquanto oiço o algodão que fala espetado no pau de amora que esguincha laranjas com caroços de cerejas que mais parecem passas. O sol não perdoa, e as frutas secam se não as comemos a tempo!
Gosto de frutas, de Verão, de calor!! E ele está tão perto e tão longe...porque o vou sentir através de um vidro que não me permite trepar às árvores nem colher o que a natureza tem para me merendar. Mas há mais e mais verões, esses não me vão escapar...não haverá fruta que não prove, algodão que não toque, árvore a que não suba!
Podías ser uma árvore...a minha árvore...a minha fruta....o néctar dos néctares! Mas resolveste plantar e enterrar as tuas raízes num jardim de Inverno onde tremo para entrar e onde morro sem trasnpor o átrio principal. Só as estações ditarão o tempo em que vivo para te provar!

Genética


Poderemos culpar a genética pelo modo como equacionamos os nossos desejos e vontades? Será ela tão superior ao que o nosso coração, razão, consciência dita? Não percebo os limites entre uma coisa e outra e por isso não me consigo localizar em nenhuma dessas esferas com contornos delimitados.
Percebo-me sempre numa altura em que não vejo as nuvens mas quase as consigo tocar, pinceladas de céu que cobrem um azul envolvente que aquece. São estradas de ar que me guiam a um lugar que esqueci de procurar mas que, na verdade, nunca perdi.
Quebras e picos extasiados por momentos….momentos que vivo na alta ou na baixa mas sempre intensos e irrepetiveis. Era mesmo ali…à porta da srª que não sabia quem éramos e nunca mais quereria saber, mas ficaria a ver…pois ficaria…porque as nuvens não cobrem o que não é azul! E quadros de pinceladas fortes e deitadas na estrada não passam despercebidas a ninguém...não me importava nem um pouco os transeundes ausentes de medos e cheios de preconceitos que nos apontarião o dedo sem rancor! Quem estava feliz no meio de tudo aquilo? Eu e tu.... no vão de uma porta que não sei a quem pertencia mas que naquele momento era apenas minha.

sábado, 5 de maio de 2007

Segundo

Foi em apenas um segundo de um tempo que não corria que toda a minha vida se apressou. Cambaleando por sensações electrificantes … e campos energéticos que me deixam os pensamentos presos ao teu nome. Nome que podia ser o meu se com este sexo não nascesse, cérebro que podia ser meu se não fosse teu! A importância que damos às coisas é ou não fortalecida com a carga psicológica com que a forramos. E forros malucos que cobrem o que não devem não chegam para tapar o que sinto. É cruel e saboroso o sofrimento diário de olhar sem nada mais poder fazer. É feliz saber encontrar-te todos os dias, triste demais nunca te encontrar de verdade. Possuo o que não me pertence e o mundo acabará por o perceber! Até os ceguinhos cessarão de não ver…

Contar

Queria contar-te tudo. Acabei por contar mais do que esperava. Supus que um desabafo sentido acabaria um pouco com esta ansiedade constante mas não podia estar mais equivocada. Só reforçou o que não gritava por qualquer reforço. E agora? Será o dia de hoje diferente do de ontem? De amanhã? Diferentes certamente todos são…trago na mala a noite de sonhos ilustres que me atacaram ferozmente, sem receio de que acordasse sem fazer mais nada além de os tornar realidade. Mas o sol não o permite, só a lua e as estrelas adoçam o que ao sol derrete…

...

Um toque que faz estremecer
um cheiro que faz respirar,
Sem parar, com dificuldade, com vontade
Desviar secretamente o olhar
antes que se torne demasiado tarde.
Fuga súbita de um eu que arde
Na dilaceração de um coração
Que parte em busca de uma solução,
que não existe ou não ousa aparecer
Penso-te sem pensar, imagino…
Será a imaginação uma traição?
Será que nunca se atraiçoa sem propósito?!
Sei qual é o meu mas não como lá chegar!