sexta-feira, 13 de abril de 2007

Música do mar

A música toca em pontos a que não chego. Sorrisos impermeáveis que se acumulam no limiar da verdade. A chuva, no entanto, passa o manto que a sela com toda a facilidade! Vivo longe...longe do mundo em que habito e do chão que piso, ou não, em vão ou com sentido. A música toca sempre, com ou sem colunas, sem notas sem sons sem cadência, mas entra no ouvido e não se encontra o off da máquina avariada que está a trabalhar há tempo demais.
Num céu longínquo as nuvens fogem apressadas levadas por um som que desconhecem mas que as encantam, como o som das sereias encatava os marinheiros que se perdiam no mar e não mais conseguiam voltar. Mas voltavam. Porque nunca partiam. Ninguém parte de verdade se aqui deixar o seu pedacinho de verdade, de razão, de sensibilidade, de amor, de paz, de sabedoria. A sabedoria não se aprende, está cá dentro, todos a temos e poucos a conseguem encontrar, porque virados para o exterior esquecem-se de procurar o que está mais perto, é sempre mais difícil ver o que está diante de nossos olhos, dentro de nós mesmos, no interior que se sente e não se alcança. Mas é possível, é sempre possível, basta nunca cessar uma procura que é tudo menos uma perca de tempo. Enquanto procuramos só desobrimos mais e mais e até nos perdemos dez vezes antes de nos encontrarmos a tempo de o perceber! Não importa onde chegamos, se vamos ao mar e não voltamos, importa o caminho, a viagem, o rasto que deixamos por onde passamos...no coração de quem tocamos.

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