domingo, 4 de fevereiro de 2007

Travar o nascimento

Hoje o mundo não me cabe nas mãos… o céu é escuro embora o Sol continue lá escondido. Percebo que nada é como pensamos, ninguém é o que imaginamos, nenhum ser pensa e sente como outro. Podemos parecer iguais ou semelhantes, mas ninguém o é!
A incerteza do mundo condena os meus actos, coage os meus pensamentos, mata os meus sentimentos. Não consigo respirar este ar poluído, que me queima as células, me destrói a alma, me abafa os gritos!! Não queria mais pensar ou imaginar, queria esquecer que existo, voltar atrás, travar o nascimento, repensar a vida…
São muros que ultrapassam a minha vontade, nada posso fazer contra sentimentos que nasceram antes mesmo de eu ser alguém. Não há porta que trave a vontade de quem a tem de verdade, porém essa eu não sou… Talvez seja a porta, que leva os murros e os pontapés, que fica direita até que a madeira quebre e fique para sempre no chão… esse lugar a que pertenço e que me quer, onde não há como mais descer, onde não há mais nada a perder. Há a verdade do mundo, que paira sobre uma porta despedaçada no chão, mas que por estar no tão em baixo vê tudo o que está em cima…. E o mundo continua a viver, sem parar… a porta quebrada nem existe para ele, há mts outras portas abertas, chaves penduradas por aí para quem as quiser descobrir! Para que levantar portas velhas que ainda por cima já caíram?

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