domingo, 18 de fevereiro de 2007

Ponte


É nos teus lábios que me encontro e me perco. Uma distância de tempo ou de espaço não se revela proibidora de te sentir como sinto. Pergunto-me por vezes se não terei contrariado o destino, dado facadas numa vida que jurava a pés juntos ser feliz, e que abandonei a uma sorte que desconhecia e que alguém conheceu porque eu assim o quis. Nunca esquecerei o sabor do beijo que me deste nas alturas de uma ponte que praticamente me elevou aos céus. Céu de onde não queria mais cair, porque presa pela dormência de metade do meu corpo, uma dormência que não queria acordar. Não sei porque acordei sem ti do meu lado, talvez nunca o saberei. Questiono mais ainda que sono teria surgido se déssemos as mãos e agarrássemos a ponte com a outra, com todas as forças internas que nos unem e nunca nos separarão. Adoro o teu tamanho igual ao meu, duas pecinhas de um puzzle de mil peças que encaixaram sem grandes esforços e na perfeição. E eram mil peças!! Coisa difícil… Mais impossível ainda será esquecer-te, não o farei nunca, a minha saudade não o permite. Espero-te…

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007

Continuação de um eu


Não consigo evitar sorrir quando te penso. Deixas-me feliz por saber que existes. Pela parecença, pela curiosidade, pelo entendimento sem grandes explicações. Embora te saiba longe e tivesse pesado por momentos, agora já não custa, sei que era uma mera e repetida ilusão pisciana que achou outra vez ter se encontrado. Era apenas isso.
O cérebro vazio é oficina do diabo. O meu estava oco há semanas e o diabo trabalhou nele bem demais, penso que se terá sentido em casa…enquanto ludibriava a pouca razão que por ali passava apressada. Embora a pressa não a levasse a lado algum.
Adormeci-me no teu peito…coisa estranha, não durmo bem nem na almofada, nem na cama, nem em nada! E em ti, estranhamente sim! Nem sei quem és, além de te sentir uma estranha e mais madura continuação da minha própria pessoa. Consigo olhar-te e ver-me. Até nalguns microscópicos gestos, que arriscaria chamar de tiques nervosos, sem que, no entanto, sejam percebidos por quem não os tem de igual modo, e que funcionam como uns complexos sistemas de auto-defesa contra qualquer coisa energeticamente negativa que se possa passar.
Somos sem dúvida pessoas complicadas, profundas, aparentemente despreocupadas, mas de constante inquietação interna. Quando foge ao controle do “eu” deixa-se revelar, independentemente do “eu” querer ou não. Ele aí não tem mais escolha ou opção. A impulsividade iminente e tantas vezes desastrosa simplesmente não o permite. Embora tenha o poder de transformar a mais simples coisa na mais maravilhosa recordação. Isto é uma grande confusão.

ti........................ti...................a......................?

Sai deste cérebro que te presegue incesantemente!! Pertences-me dia e noite e expremes-me o que que já nada tem. Se te visse comía-te: inteiro, vivo, delicioso! Sem temperos estranhos à mistura, o nosso mix basta demais para que qualquer momento se torne no mais sofisticado prato gastronómico...não fosses tu, já por si, uma precisoa iguaria!
Estou cheia de fome...hummm...desses pratos arrastados, picantes e adocicados, que me fazem pingar o nariz e rosar a face. Nem te cruzas comigo, nem de propósito, nem sem querer, nem se eu quiser... se fosse só o querer a mandar! Tavas mais que querido!
Nem almoço, nem jantar, nem lanche, nem noite, nem copo, nem nada........... foste assim como que se vai sem aviso, mesmo antes de sequer teres chegado perto.

domingo, 4 de fevereiro de 2007

Texto para Cupido

Acordei deitada numa rede de cordas e peles estranhas. Olhava à volta e não conhecia nada. Teria sido raptada? Estaria ainda a dormir pensando estar acordada? Estaria drogada?
Esfreguei os olhos, belisquei o cérebro, sacudi os membros e pus-me de pé. Andei às voltas durante uns minutos. Era uma comunidade antiga, daquelas a que a civilização ainda não tinha lançado as garras da transformação e da maquinaria.Cabanas estranhamente amontoadas criavam um ambiente místico mas ao mesmo tempo assustador. Sentia-me numa história que nunca me tinha sido contada.Haviam cabanas minúsculas, com portas onde poderiam passar apenas duendes anões, outras de 2 e 3 andares, sem que se percebesse onde começava um e acabava o outro, pois as janelas não coincidiam com a horizontalidade dos pisos.
Confuso, bati à porta dos céus e perguntei: mas que realidade é esta? Onde estou e como vim aqui parar?... Eis que surge uma nuvem que se moldava lentamente numa silhueta feminina, uma voz calma e envolvente sussurrou-me algo ao ouvido… algo que não entendi mas que me fascinou. Senti a seta do cúpido atravessar-me o estômago e a nuvem foi-se tão rápido como havera surgido.
Lá ao longe via-se um pequeno animal que transportava no lombo um homem gigante. Percebi com a crescente proximidade que era um leitão carregando um índio com uma bandeja na mão. A minha confusão tinha virado alucinação: só podia!
O índio aproximou-se e gritou: Se queres comer terás de subir ao 3º andar sem elevador, saltar cá para baixo e levantares-te sem um arranhão!
A fome era tanta que não perdi tempo em pensamentos famintos, subi, nem olhei para baixo e saltei! Resultado: quase morri! Almost beyond the line arrastei-me até aos pés do índio que ria desalmadamente: Querias comer não era? Mas não és merecedor do manjar dos deuses. A prova é que nem levantar-te consegues! Ah pois é! Ahahahahahh!
E numa tentativa de me deixar a salivar abre a tampa da bandeja, pega num rato pelo rabo, devidamente temperado e cozinhado, e literalmente suga-o, deixando apenas aquelas finas costelas à vista de todos!
Naquele instante pensei: quase me matei por isto? Realmente a fome faz-nos fazer coisas incríveis. Percebi imediatamente a facilidade com que os famintos metem a mão no lixo, retiram o papel que já foi de um bolo de chocolate e o lambem com felicidade!

A impotência do hoje


Detesto o sentimento de impotência. O maior problema de se sentir impotente perante uma situação é que esse sentimento nunca vem sozinho. A impotência me causa raiva, angustia, tensão, revolta, agonia, depressão, confusão e mais bla, bla , bla. Se fosse citar todos os sentimentos adjacentes que a impotência traz consigo, preencheria essa lauda só com eles. Mas não é essa minha intenção. Não vejo como posso reverter essa situação(se é q essa situação possa ser revertida).
Não gosto de me preocupar com o depois, ahhh e como eu gosto de viver o hoje!!!!!! Pq o hoje é a única coisa que temos, o passado já passou, o futuro sempre está vindo e nunca chega, mas o hoje...ai o hoje!!!!! O hoje é tudo, o hoje é vida. Se estamos habitando o mundo pode ter certeza que é por causa do hoje. O hoje é o agora, é esse instante, é esse momento que você está lendo isso, é o sorriso, é a alegria. Por isso me sinto tão impotente, eu não tenho mais o hoje, o hoje para mim não importa mais(pq vc não está do meu lado), e o futuro...não podemos controlar. Então, o que posso fazer a não ser esperar, sem ter como agir.

Tiago J.

Não importa

Mãos trocadas ou direitas, não importa
Pegar num papel ou numa caneta,
Faz-se até sem mãos, mas nunca sem ideias
Ideias certas ou erradas, não importa
Dizem o que não digo, falam o que quero
Aí reside a verdade da relatividade.
Como se sente algo,
Como se interpreta uma palavra,
Por pouco sentido que tenha,
Ela existe por si só.
Aos olhos de quem a vê,
Na boca de quem a pronuncia,
Ganha uma nova vida,
E também uma nova morte
Mas o cérebro nunca morre
Nunca pára, nunca acalma
Extremo? Talvez.
Mas é assim para mim
E é assim para ti.

Inexplicavelmente Inexplicavel




Onde estava eu, onde procuro estar?
Uma lágrima que escorre por momentos...
...a certeza de os querer procurar.
Caminho por mais uma rua escura,
onde me guio por formas dispersas,
onde procuro algo invulgar.
Uma displicência que perdura,
na certeza de opções inversas,
às que a razão teima em alertar.
Caminho por mais uma forma de sentir
que me surpreendeu ao fundo da rua,
quando a consciência deixou de atacar...
(tenho pouco tempo até voltar).




Hypo